Recomeço a escrever para me encontrar e despejar todos os sentimentos e desejos que estão guardados dentro de mim de uma maneira confusa e triste, no momento.
Falar sobre a tristeza é muito difícil porque normalmente não estamos condicionados a dizer nossos problemas carregados de energias negativas e pesadas para qualquer pessoa. A tristeza é ameaçadora porque nos distancia da realidade e das pessoas, e no meu caso, me prende a um passado que não me pertence.
Sempre soube que o passado faz parte do percurso e que ele só serve para nos ensinar para que não erremos novamente, porém na pratica, essa teoria tem sido muito difícil para mim depois que me tornei mãe.
Costumo dizer que a maternidade foi uma dádiva de Deus na minha vida, levando em consideração a cabeça que eu tinha e a vida que eu levava. A vida não tinha muito sentido antes dos dois pauzinhos no teste da farmácia e confesso que naquele momento não tive tempo de me sentir triste por gerar um bebê... Até que ele nasceu, eu renasci como mãe, e com esse grande acontecimento abri os olhos para a afetividade de uma mãe com seu filho. Muito apaixonante e enlouquecedor.
O nascimento do meu filho não foi nada agradável se comparado ao quanto de coisas que descobri, ainda grávida, sobre violência obstétrica, mas ele nasceu e eu não imaginava que seria tão difícil. Difícil porque existe um mix de emoções muito fortes rolando dentro de nós desde a gravidez, e por vezes, essa tarefa que não é registrada em carteira de trabalho, sufoca a mulher que existia antes de um bebê nascer. O meu nascimento como mãe foi uma descoberta linda sobre o amor e sua capacidade de transformar, mas confesso que nunca pensei que ele pudesse engolir minha auto estima, devido ao fato de que tudo que eu fazia pra mim agora eu deveria fazer pro meu filho. Cheguei ao momento em que passei a me sentir uma pessoa horrível devido ao relacionamento abusivo que me encontrei com o pai do meu filho, já não me sentia mais mulher e me vi colocando o sujeito em primeiro lugar na minha vida. Até mesmo antes do meu filho... Imagine que loucura.
A adaptação de um bebê ao mundo demora pra acontecer, cada dia é novo e se aprende algo novo que as vezes percebemos ou não, mas analisando que todos os dias desde então, eu teria várias obrigações fundamentais pela saúde e bem estar do Heitor que já me deixavam ansiosa, desesperada e fora de mim em certos momentos. Enlouqueci com a carreira solo da maternidade, com a dependência emocional afetiva de um cara que não me merecia, e com aquela necessidade de recomeçar mas não saber por onde.
Um relacionamento abusivo pode ser arrebatador para quem sofre dentro dele, mas nem todo relacionamento ruim pode ser considerado abusivo só porque não estamos felizes. O amor também acaba, esfria e vira passado mas superar o fim de um relacionamento com um filho no meio tem sido complexo dentro de mim. Tanto que não sei se sofro de amor mal amado ou de paternidade mal resolvida mas espero poder continuar essa novela da vida real com a solução pro meu problema.
A maior de todas as descobertas da minha vida além do meu amor pelo meu filho é a possibilidade de encontrarmos Deus em coisas simples e estarmos de olhos verdadeiramente abertos para entender suas mensagens quando pedimos algo que precisamos, agradeço por estar atenta e por estar sempre de alguma forma conectada com todas as mensagens dadas.
A gratidão precisa sempre estar viva dentro de nós, pelo ar que respiramos, pelo sol que sempre brilha, pela chuva que lava, pelas pessoas que nos amam e nesse momento, eu só agradeço por estar aqui e poder experienciar tantas coisas que me ensinam e me melhoram, ainda que as vezes pareçam não haver mais cura.
Escrever este texto é um grande passo dado, concluí-lo é quase um troféu, então eu apenas agradeço a Deus e todos os ventos que me trouxeram até esse texto, e todas as pessoas que o meu texto cativou a leitura até o fim, agradeço. Apenas agradeço.

É minha amiga, minha prima, minha filha, não sei de maternidade, mas recomeçar é algo que acredito na vida e vamos assim, tentando resgatar o que a gente sabe que gosta e o que faz bem pra gente. Escrever sempre me sorrir, sempre te fez sorrir. parabéns por esse passo, pois sei o quanto ele é difícil, o primeiro passo sempre é mas lembre-se, o importante é só o próximo passo. Amo você!
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